
Eu não estava muito satisfeita na faculdade de arquitetura e, um dia, fui assistir ao espetáculo de um grupo chamado A Cidade Muda, de teatro de bonecos. Fiquei completamente apaixonada. Então, fiz um curso na Escola de Comunicações e Artes (na USP) como aluna ouvinte. Quem dava aula era a Memélia de Carvalho, do Bambalalão (um programa infantil na televisão), e foi com ela que aprendi esse boneco (acima). Depois, fui assistindo a muitos espetáculos e fazendo vários cursos, com a Ana Maria Amaral, o Eduardo Alves... Até ir fazer mestrado nos Estados Unidos, numa universidade em Connecticut, em 2001 (o Geraldo nasceu lá!)
O que eu acho mais impressionante é dar vida a um objeto inanimado e torná-lo humano. As pessoas se reconhecem nele.
Sim, desde pequena. Eu me lembro que teve um Natal que o que mais queria ganhar era um fantoche. E quando eu tinha uns 12 anos, fui assistir a um espetáculo de fantolixo, com bonecos feitos de material reciclável, e fiz na escola uma peça com esse tipo de personagem.

Eu amava os Muppets! Gostava do Caco (Kermit), da Piggy, da orquestra… Era bem viciada no programa! Eles tinham bastante humor. Quando fui para os Estados Unidos, descobri que todos os meus colegas amavam os Muppets.
Não, meu trabalho se distanciou um pouco do estilo dos muppets. Gosto mais dos bonecos de madeira, mais caprichados. E com o tempo fui descobrindo que eu gostava de trabalhar com coisas mais simples. Eu não sou super perfeccionista, não faço bonecos maravilhosos, me interesso mais pelo movimento do que pela forma. Tenho um boneco, por exemplo, que é um cachecol. Um pano que não é nada e, de repente, vira uma velhinha. Não precisa estar tudo claro (basta usar a imaginação!).
Ele pode nascer na cabeça, num desenho e vai se transformando. Às vezes o que estava na cabeça não dá certo e você descobre outras possibilidades, ele vai ganhando vida, personalidade. E pode demorar até um mês para ficar pronto.
O fantoche, com certeza!



















